Postado por: Raquel Borsari em 25/jul/2018 |

Pacientes do terceiro turno de hemodiálise questionam que prefeitura não disponibiliza transporte na volta para casa

Como voltar para casa?

O problema enfrentado pelos pacientes do terceiro turno de hemodiálise já foi tema de outras reportagens dos telejornais do Super Canal. Meses se passaram e a situação dos pacientes desse turno que moram em Caratinga continua a mesma. A nossa equipe de reportagem registrou ontem (24/07), as dificuldades relatadas pelos pacientes e seus familiares.

A prefeitura leva os pacientes do terceiro turno até a clínica de hemodiálise em uma Kombi, mas não os busca. À época da primeira reportagem, o caso foi denunciado por meio de um vídeo gravado pelo paciente Paulo Amâncio, morador do Bairro Nossa Senhora Aparecida. “A gente fez o questionamento alguns meses atrás e continua do mesmo jeito. Não buscam o paciente. Eu queria que tivessem um pouco mais de zelo pelos pacientes da hemodiálise. A nossa prefeitura falha nessa parte do transporte, que é a que gente mais precisa, que é a hora de ir embora”, disse ele.

Os pacientes entram no terceiro turno da hemodiálise às 16h30 e deixam a clínica por volta das 21h. O paciente Juarez Fernandes, morador do Bairro Doutor Eduardo, relatou que quando ele pode, paga um táxi na volta para casa, porém, muitas vezes precisa ficar esperando mais de uma hora no ponto de ônibus, correndo o risco de passar mal. “Você sai passando mal e tem que ficar em ponto de ônibus até fora de hora. Táxi para pagar todos os dias não tem como. Eles alegam que o plantão deles fecha às 17h e não podem fazer mais nada”, completou Juarez.

O auxiliar de serviços gerais Marcos Júnior, morador do Doutor Eduardo, também se demonstrou revoltado com a situação. A mãe dele é quem faz tratamento renal e toda a semana ele tem de buscá-la na clínica por causa da falta de transporte para os pacientes. “A situação está crítica porque o pessoal só está buscando. Não sei o que está acontecendo não. Parece que o tanque da Kombi está furado. A gasolina que nós estamos colocando parece que não está dando não. Tem buscar o pessoal aqui também, pois sai todo mundo passando mal aí, vocês não sabem o que é fazer hemodiálise não. O transporte é um direito nosso e quero cobrar porque todo o dia eu venho buscar minha mãe, busco e trago”, comentou Marcos.

O lavrador José Cerqueira da Silva também confirmou que a prefeitura só leva, mas não busca os pacientes na clínica. José precisa buscar a esposa de carro três vezes por semana. “Eles buscam, mas não levam em casa. É difícil, se a prefeitura pudesse fazer isso era bom. Eu trabalho na roça, às vezes a gente chega tarde e fica difícil para buscar”, disse José.

Em nota enviada ao Super Canal em março deste ano, a prefeitura disse que todas as pessoas que fazem hemodiálise têm direito ao transporte, mas que o serviço é disponibilizado de acordo com a condição física de cada paciente. “Quem faz hemodiálise não tem nada de condição física não. Você vê a capa da pessoa é uma coisa, mas não sabe o que está por dentro. O rim afeta o corpo todo”, disse Paulo Amâncio.

À época, a prefeitura também afirmou em nota que os pacientes do terceiro turno são divididos em três grupos. Os mais debilitados fisicamente são transportados numa Kombi. Os de gravidade média transportados num ônibus a serviço da saúde. E, os menos debilitados fisicamente recebem um cartão, que é recarregado todo o mês, para poderem ir e vir em ônibus de linha. “A Kombi traz. Agora ônibus nunca vi, sinceramente. Se existe esse ônibus, comprou e guardou lá. Na verdade, nós temos direito ao passe livre de ônibus, mas como que a pessoa que sai da hemodiálise, que não aguenta nem andar, como ela vai descer até o ponto”, questionou Paulo Amâncio.

Todos os outros municípios vizinhos, segundo Junior, levam e buscam os seus pacientes. Ele questiona por que só Caratinga não os busca. Os pacientes que dependem do transporte para ir para a clínica de hemodiálise e voltar para casa cobram uma solução do governo municipal para que o problema seja resolvido. Procurada pelo Super Canal, a Assessoria de Comunicação da prefeitura ainda não se manifestou sobre o assunto e é aguardada uma resposta.

 

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