Postado por: Raquel Borsari em 22/ago/2013 |

Médicos podem interromper atendimento na maternidade nesta sexta-feira

Saúde pública em crise em Caratinga

A informação de que a Unidade Materno Infantil “Grimaldo Barros de Paula, mantida pela administração do Hospital Nossa Senhora Auxiliadora pode ter seus trabalhos interrompidos a partir de sexta-feira, dia 23, foi repassada pelo médico Aurélio Vinícius Danta de Souza. Em entrevista ao Super Canal, o também coordenador da unidade de saúde mostrou a sua preocupação e fez um alerta à população.

 

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Segundo o especialista, diversos fatores vem influenciando na decisão. El pondera ao salientar que não só a maternidade de Caratinga passa por dificuldades, mas toda a área da saúde no País. Porém, a crise financeira, o acúmulo de débitos do Hospital Nossa Senhora Auxiliadora vem culminando na dificuldade no pagamento de médicos, em especial, da equipe da maternidade dos setores de pediatria, UTI Neo Natal e UTI Adulto.


A maternidade foi inaugurada em janeiro de 2010, desde então nunca sofreu interrupção nos serviços prestados. Segundo Dr. Aurélio, a administração do Hospital foi avisada com antecedência sobre a possível paralisação, prevista para acontecer a partir desta sexta-feira. Um documento oficial foi enviado à direção, ao Ministério Público e ao Conselho Regional de Medicina. Interromper os trabalhos, consiste em não atender a uma demanda da cidade de Caratinga e de toda uma microrregião. Desta forma, pacientes terão de buscar atendimento em outras cidades.

A saúde pública não vai nada bem, uma realidade não apenas vivenciada em Caratinga, mas em diversas partes do País. Será mesmo que faltam médicos ou estrutura, remuneração, valorização da profissão? Aurélio exemplifica um pouco da dificuldade em se atender via SUS. “Uma tabela extremamente defasada. Para se ter uma ideia, desde o início do governo do PT não houve correção nesta tabela. Um parto normal corresponde entre 100 e 115 reais, conforme a tabela SUS e este mesmo valor é pago pelo Hospital”, destacou, salientando ainda que não há um responsável direto, o que existe é uma situação que foi criada pela estrutura política e social na área da saúde no Brasil. Porém, conforme Aurélio, a unidade de saúde em Caratinga tem dificuldades para arcar com os compromissos com a classe, em virtude da crise financeira.

 

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Procurada pelo jornalismo da emissora, a administração do Hospital Nossa Senhora Auxiliadora se pronunciou através de uma nota de esclarecimento, confirmando que é de conhecimento da unidade o posicionamento dos médicos pediatras que atendem na maternidade.

Ainda conforme explicitado em nota, o HNSA ainda não tem uma posição a este respeito, a não ser a de que a situação está sendo avaliada e de que está havendo um processo de negociação entre a instituição e os médicos. A administração destacou ainda que algumas reuniões devem acontecer, na tentativa de solucionar o impasse.

 

O pedido de uma entrevista feito pelo SC para melhor esclarecer a questão foi negado sob a justificativa de que a administração não pretende se manifestar desta forma enquanto não houver uma decisão final sobre o caso.

Em se tratando de saúde pública, a Secretaria Municipal de Saúde também foi procurada e informou através de uma nota que até o momento não foi notificada sobre o assunto e que não foi convidada a participar de nenhuma reunião para a discussão do assunto. No que diz respeito às obrigações financeiras do município, enquanto Gestor Microrregional, a Secretaria destacou que estão rigorosamente em dia com todas as obrigações financeiras conforme o contrato proposto pela instituição Hospital Nossa Senhora Auxiliadora (HNSA) em janeiro de 2013″.

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O Governo do Estado, através da secretaria de estado de saúde, também foi comunicado sobre o problema. Conforme destacado em contato telefônico por uma das representantes do Estado, o problema está centrado na gestão local, o que impossibilita uma interferência. O Governo tem efetivado o seu compromisso com a disponibilização de infraestrutura necessária para o atendimento.

Para o médico Aurélio, os esforços tem de ser múltiplos nesta luta pela sobrevivência da maternidade, afinal, quem irá perder e muito é a comunidade.

 




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