Postado por: Raquel Borsari em 04/nov/2014 |

Vida e morte

Com a psicóloga Eneide Caetano

A morte está presente na existência de todos nós, para alguns mais cedo, para outros, de modo mais trágico, e para os que vivem até idade avançada, a morte corresponde aos grandes ciclos naturais da vida. Embora faça parte da história, a morte é vista em nossa sociedade como algo a ser evitado.

Do ponto de vista puro e simples, o que há na morte é a saudade e o encerramento de uma história. O que nos faz ter repulsa à ideia da morte é a dor e para lidar com ela, isto requer muito treino, paciência e aceitação para ela se tornar construtiva em nossa trajetória.

A história de que passa por grandesperdas nunca mais será a mesma, pois a morte marca a alma. Entretanto, estamos na vida para sermos transformados a partir das experiências que o acaso nos impõe. A superação só se dá a partir de um longo processo e ela não significa esquecer, fingir que não aconteceu ou ainda, não sentir dor quando lembrar. Superar significa aceitar e continuar.
Mas como aceitar algo que não faz sentido? Pessoas queridas levadas pelas circunstâncias de modo violento? Algo que não vem com avisos, que não parece ter um porquê dentro da lógica do merecimento? Como aceitar a morte de alguém bom, que tinha uma vida enorme pela frente e que o destino levou em segundos, sem nos ter orientado para aquele momento? Como continuar sem ter mais vontade de viver, sem ter um sentido que nos oriente?
Segundo a estudiosa Elizabeth Kluber-Ross, há fases no processo de aceitação da morte, em seu livro “Sobre a Morte e o morrer”, ela alerta que em geral, diante da morte qualquer ser humano passa por vários estágios: a negação, a raiva, barganha, depressão e a aceitação.
Negar é não querer aceitar e usar recursos para afastar a realidade que dói. Ter raiva é querer culpar alguém como o responsável pela dor, é pensar que poderia ter sido diferente.

A raiva não permite encarar o processo como algo que fugiu do controle. Ela é necessária para descarregar, mas é um esforço quase vão que nos prende ao passado.
Barganhar é tentar negociar com o destino. Fazer magia, fazer promessa, buscar psicografia. Esses recursos são importantes, mas ainda demonstram uma ligação com um passado que não se quer deixar ir.

A depressão está mais perto de nos permitir ver as coisas como elas são e ver o que a morte nos causou, porem a depressão rouba a vida e por isso deve ser combatida quando o tempo é superior a seis meses e a intensidade tira o enlutado das atividades que o ligam à vida (trabalho, convívio familiar, convívio social, saúde, fé no futuro).
Finalmente, a aceitação é o processo que nos torna capazes de ver e falar sobre a morte e ao mesmo tempo, deixá-la ir para longe de nossos domínios, de nosso controle racional. Deixar ir não significa esquecer, tampouco não sofrer nunca mais. Deixar ir é fazer as pazes com o tempo, com novas chances, com a única certeza de que absolutamente tudo muda, é transitório e que é preciso transformar junto com a vida e com a morte, nos preocupando uns com os outros, com os que ainda estão conosco, atentos aos verdadeiros valores da existência humana!

Intensifica-se a tristeza em nossa cidade pela partida de um grande pai, esposo, amigo, profissional e grande ser humano. Perde-se na vida terrena, porém ganha-se um anjo e mais uma estrela no céu. Desejo a todos, amigos e familiares toda força que o universo dispõepara aplacar a dor deste momento.
Caro Sergio, que o Senhor esteja convosco, que a luz do Universo ilumine o seu caminho. Um dia com certeza encontrarás com os seus no reino que você tanto exaltou!




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